Monumental. Essa é a palavra que define a obra de Ana Maria Gonçalves. Não apenas pelas suas quase 1.000 páginas, mas pelo peso que carrega da nossa história, política, língua, religião e culinária.
Recentemente, a autora fez história ao ocupar a primeira cadeira da Academia Brasileira de Letras destinada a uma mulher negra, em 128 anos de existência, e se consagrou como a oitava mulher negra a publicar um romance no Brasil. Se você ainda não conhece Um Defeito de Cor, prepare-se para descobrir o livro do nosso século.

O fenômeno que transbordou a literatura 📚✨
O romance está prestes a completar 20 anos e não ficou restrito às livrarias, furando todas as bolhas possíveis:
- Inspirou mostras de arte no Rio, SP e Bahia.
- Foi enredo da escola de samba Portela.
- É considerado o retrato do “trauma original” fundacional da identidade brasileira.
Ele poderia facilmente estar na escola, fazendo parte da literatura obrigatória do ensino médio, mesmo que fosse dividido em três partes por causa do tamanho. E esta nem é a maior versão dele, que já teve um original de 1.400 páginas!
A Jornada de Kehinde (ou Luiza Mahin) 🌍
O livro narra a história afro-diaspórica de Luiza Mahin, mãe do escritor Luiz Gama: poeta, advogado autodidata, jornalista e abolicionista. Em África, ela era Kehinde – se fala “Kendé”.
Ela está longe de ser perfeita, mas tem a liberdade de exercer tudo o que é ser humano, em um contexto em que a primeira coisa que se faz para escravizar alguém é negar sua humanidade.
Mais do que um romance, é um livro de identidade, que reverbera em nós a todo momento. Ele nos faz ouvir, por mil páginas, a voz de uma mulher negra — um exercício de escuta e empatia que a sociedade brasileira não está acostumada a praticar.
O Processo de Criação: 19 Reescritas!
Como uma boa mineira, Ana Maria Gonçalves é uma contadora de causos nata, mas o trabalho por trás da obra foi exaustivo:
- 5 anos de método e dedicação total. 📖
- 2 anos de pesquisa intensa em museus, jornais, cartórios, documentos, entrevistas, cartas de alforria, cartas de amor… 🔍
- 1 ano de escrita do roteiro inicial. 📝
- 2 anos de reescrita, foram 19 versões até chegar ao formato final. 🔄
Kehinde é um mosaico formado pelos fragmentos históricos de Luiza Mahin, somados a outras 400 histórias reais de mulheres brasileiras. ✊🏾

Por que ler agora?
“Kendé” somos todos e todas nós. Nós somos porque ela, um dia, já foi. Nós só estamos aqui hoje porque nossos antepassados sobreviveram à viagem e aos horrores que “Kendé” enfrentou. Ler esta obra é uma forma de honrar essa memória e abraçar, com muito amor e acolhimento, a nossa ancestralidade. Precisamos entender as coisas como elas são de fato.
Este livro é único e falou comigo como nenhum outro na vida. Por isso, meu convite é simples: Leiam Um Defeito de Cor!
Um grande abraço e até o próximo livro!
Helena Gagine


